Uma lei descreve o comportamento que uma sociedade espera de si mesma. Um regulamento define papéis, prazos e consequências. Uma obrigação de compliance diz o que precisa ser verdade dentro de uma organização, todos os dias, com prova.
Engenharia tem um nome para isso: especificação.
E especificação boa não mora em PDF. Ela roda.
O que valorizamos
Chegamos a estas convicções construindo e operando sistemas de norma por mais de dez anos: eleições, proteção de dados, gestão pública, proteção à mulher. Valorizamos:
- Software em produção acima de parecer em PDF.
- Evidência auditável acima de promessa de conformidade.
- Código aberto acima de caixa-preta.
- Estado mantido todo mês acima de projeto que termina na entrega.
Os itens à direita têm valor. Os da esquerda valem mais.
Os princípios
1. Se a regra existe, ela pode rodar. Toda norma pode ser lida como requisito: fluxo, prazo, papel, exceção, sanção. O que pode ser lido como requisito pode ser modelado, implementado e verificado.
2. Quem interpreta a norma escreve o código. Cada camada de tradução entre a pessoa que entende a regra e a pessoa que a implementa é um lugar onde o sistema erra. Nós removemos as camadas.
3. Não confie. Inspecione. O algoritmo que aplica a lei sobre alguém precisa poder ser inspecionado por esse alguém. Regra pública em código fechado é caixa-preta, e caixa-preta não é conformidade, é fé. Nosso código é aberto por requisito, não por ideologia.
4. Conformidade é estado, não evento. Auditoria não deveria ser uma semana de pânico atrás de evidência. Se o sistema registra cada passo enquanto o trabalho acontece, a prova existe antes de alguém pedir.
5. O que não deixa trilha não conta. Reunião não é evidência. Intenção não é evidência. Registro com autoria, data e encadeamento verificável é evidência.
6. Feito para atravessar gestões. Sistemas de norma vivem mais que os governos, as diretorias e as modas de tecnologia que os criaram. Construímos e operamos com esse horizonte, e é por isso que nossos sistemas passam de uma gestão à outra sem recomeçar do zero.
7. A porta de saída fica aberta. Os dados são do cliente, em formatos abertos, com exportação total em cláusula contratual. Sair é fácil por desenho. É por isso que ficam.
8. Pequenos por escolha. Time sênior, sem camadas comerciais, sem fábrica de corpo alugado. Crescer a qualquer custo criaria exatamente as camadas que o princípio 2 proíbe.
O que recusamos
Teatro regulatório: o documento que existe para constar. O checklist que ninguém audita. A caixa-preta que aplica regra pública. O ERP e o CRM genéricos, que qualquer um faz. E o projeto que ignora a pergunta mais importante: quem mantém isso funcionando daqui a cinco anos?
Cobrem isso de nós
Manifesto sem cobrança é peça de marketing. Este aqui aceita fiscalização:
- Nosso código está público em github.com/appcivico.
- Toda afirmação neste site é verificável: repositório, contrato ou número público.
- Tudo que operamos gera evidência auditável, inclusive para auditar a nós mesmos.
Se em algum ponto falharmos nisso, o manifesto perde o valor. É assim que preferimos: com algo em jogo.
AppCívico
São Paulo, 2026